Entrevista : Fernanda Lira da banda Nervosa


Dessa vez o Metal Maniacs Zine entrevistou Fernanda Lira ,Baixista e vocalista da banda paulistana de Thrash Metal ,ela nos falou um pouco sobre tudo ,começo da banda ,a saída da Karen Ramos,shows e sobre o contrato com a gravadora Napalm Records ,
Confiram abaixo:



Power trio paulistano de thrash metal, formado apenas por garotas. O som composto pelas meninas da NERVOSA tem forte influência do thrash metal, mesclada a elementos originais e característicos inseridos por cada uma das integrantes nas músicas. Palhetadas e riffs rápidos, linhas bem trabalhadas, música para moshpit: se você gosta disso tudo, então NERVOSA é a sua banda!”

Paulo Henrique : Muito Obrigado Por nos conceder esta entrevista Fernanda,a banda Nervosa está na ativa a pouco tempo e já vem fazendo muito barulho até agora, nos conte um pouco sobre o Inicio da banda

Fernanda Lira :A Prika e a Fê Terra tinham a NERVOSA desde 2010, mas as formações acabaram nunca dando certo. Até que no meio do ano passado, por meio de amigos em comum, conhecemos umas as outra e nos juntamos para levar a NERVOSA adiante! Elas estavam precisando de vocal e baixista e eu estava querendo montar uma banda de Thrash só de minas. Tinha como ser mais perfeito? hahaha Eu estava um pouco traumatizada pois havia sido expulsa da minha ex-banda muito injustamente, mas decidi seguir em frente com o meu sonho e hoje sei que me encontrei e estou realizada na Nervosa.



Paulo Henrique : A Banda no começo era um quarteto, e agora virou um Power Trio,Como
foi a saída da Karen Ramos, foi devido a distancia ?

Fernanda Lira : Sim, esse foi o fator principal. A Karen ;é uma boa musicista e ótima pessoa, mas a distância realmente era um fator que nos atrapalhava muito. Falamos para ela vir para São Paulo e arriscar uma vida nova, com todo nosso total apoio, mas ela mesma optou em ficar por lá, em Curitiba. Para nós a adaptação foi super fácil e quase natural, pois ela havia ensaiado com a gente no máximo umas duas vezes. Então, estávamos acostumada a ensaiar, compor e tocar como um trio, portanto, para nós o processo de adaptação foi super tranqüilo!



Paulo Henrique : A cena Metal em geral sempre foi um espaço um tanto machista,sempre existiu garotas que curtam música pesada,que gostam de tocar,existem muitas bandas com mulheres em suas fileiras ou extremamente apenas de mulheres,mas antigamente , era muito dificil depararmos com garotas em eventos Thrash/Death etc...., mas agora estamos vendo uma coisa muito legal, muitas garotas com suas camisetas pretas,montando bandas,indo a eventos,discutindo sobre metal etc.eu acho isso magnifico, nos fale um pouco sobre isso:

Fernanda Lira : Essa é uma tendência mais que natural e eu adoro! Existem muitas mulheres que amam o metal da mesma maneira que os homens, portanto essa tendência de mais mulheres nos Shows , em bandas e até trabalhando na mídia especializada, é uma tendência meio que natural, no meu ponto de vista. quanto a bandas, o movimento de bandas só de garotas vem crescendo imensamente, conheço ótimas garotas musicistas e bandas de mulheres de vários lugares. Creio que daqui a um tempo esse fator mulher tocando metal vai estar longe de ser novidade, vai ser algo totalmente corriqueiro, por isso mesmo eu e as meninas da NERVOSA não vemos sentido em ficar sustentando o diferencial da banda em somente ser 'mulheres tocando', Porque daqui a pouco não vai ser mais novidade alguma, e eu acho isso sensacional! Quanto mais metal sisters na cena, mais legal :)



Paulo Henrique : A Nervosa fez o esquema de gravação e prensagem de sua primeira Demo a pouco tempo, nos fale, como foi o processo de gravação?

Fernanda Lira: Juntamos toda grana possível para fazer uma gravação de qualidade, e por isso escolhemos o estúdio Mr Som, do Pompeu e Heros do Korzus . Tudo ali foi perfeito! O trabalho de pré produção com o Pompeu foi incrível, e a gravação fluiu super bem, nos divertimos e aprendemos muito! Gravamos no mês de Janeiro e no fim de fevereiro a masterização já estava provinha! Apenas estamos demorando para lançar pois agora que assinamos com uma gravadora para o próximos disco, existem algumas decisões que temos que tomar em conjunto com o selo, mesmo que a Demo seja lançada independente aqui, pois envolve muitas coisas!



Paulo Henrique : Houve a Vaquinha virtual, que eu achei isso muito legal, pois mostra como a anda a união da cena etc.,a vaquinha feita conseguiu arcar com todas despesas ?

Fernanda Lira: A vaquinha virtual foi feita para que conseguíssemos arcar com os custos de prensagem, já que a gravação já havia sido paga por nós. A ideia rolou naturalmente… Assim que terminamos de gravar, a guitarra e a batera passaram por um momento delicadíssimo em relação à grana, e todas nós acabamos nos apertando MUITO. Por isso, se fossemos depender de lan;car com uma grana nova que teríamos que juntar, sem dúvida a demo só sairia no fim do ano! hahaha Então, como tinha muito amigo e galera que apoia hiper ansiosos para o lançamento da demo, resolvemos fazer uma vaquinha, meio que por brincadeira. Comecei a perguntar para amigos próximos e familiares se caso a gente fizesse uma vaquinha, eles ajudariam a gente, e a resposta foi sempre sim! Então, pesquisamos como funcionaria esse esquema de contribuição coletiva e achamos muito legal! Apesar de muitos criticarem, essa é uma forte tendência na cena mundial. Uma vez eu entrevistei o Jon Schaffer do Iced Earth e ele mesmo comentou que essa vai ser uma maneira que os músicos vão encontrar de lançar seus discos no futuro, quando as gravadoras não puderem mais apoiar tanto as banda financeiramente - buscar ajuda direto nos fãs, que contribuem, e são recompensados não só com um trabalho de qualidade, mas com a gratidão eterna dos músicos, por terem feito parte de um momento tão histórico na carreira da banda. Não é questão de 'mendigar' dinheiro, é uma questão de buscar ajuda em quem está disposto a ajudar :)

O próprio Dorsal Atlântica acabou de conseguir 40 mil reais para lançar um disco graças aos fãs. Fizemos o mesmo, só que o nosso não passava de um pouco mais de mil reais! hahaha

Conseguimos graças a ajuda de nossos amigos que confiam no nosso trampo tanto quanto a gente!



Paulo Henrique : A Banda é extremamente nova e já tocou com grandes nomes do Metal Nacional e Internacional como Artillery, Exumer e Exodus nos fale um pouco sobre isso:

Fernanda Lira: Nada mais recompensador do que fazer o que você ama ao lado de ídolos que você ama! Pra gente, esses convites foram a maior prova de que estamos no caminho certo: não poupando esforços para correr em prol da banda, abrir mão de muita coisa em prol da banda e fazendo tudo com muito amor e honestidade! Essas são as chaves. Com isso, fomos reconhecidas, pessoas confiaram no nosso trabalho e capacidade para segurar a responsa de abrir eventos desse porte! Para nós, foi inesquecível e seremos eternamente gratas às pessoas que nos cederam essa oportunidade. É como um sonho se tornando realidade. Quando que eu ia imaginar enquanto ouvia Toxic Waltz que um dia iria dividir o palco com o Exodus? A vida é uma parada muito louca mesmo!



Paulo Henrique : A banda Nervosa tocará ao lado de grandes nomes como Samael,Grave, etc. Na 14 edição do Roça n Roll, como é fazer parte de um evento desse porte ?

Fernanda Lira: Tocar no Roça foi a realização de um sonho pra mim!

Eu sempre fui ao festival e ficava olhando pro palco me perguntando se um dia seria capaz de tocar por lá! E um dia rolou! Batalhamos muito pra isso acontecer, participamos da seletiva, demos nosso melhor e quando chegou a hora de provar às cinco da manhã no palco o que aquilo significava pra gente, a gente respondeu à altura, fizemos nosso melhor! Foi maravilhoso, sem dúvidas um dos melhores shows que fizemos até agora!! Sempre levaremos Minas e seu público MARAVILHOSO no coração da banda!



Paulo Henrique : Ultimamente a banda Nervosa vem sendo alvo de "Alguns" Idiotas,com comentários ridículos ,que na realidade apenas enfraquece a cena, nos fale um pouco sobre isso:

Fernanda Lira: Cara, chega a dar dó, né? A gente não liga muito, porque na verdade, perto da galera que apoia a gente, o número de comentários infames e ofensas chegam a ser quase nulos e insignificantes. Mas uma vez um sábio me disse que Internet dá voz a laser, e isso é a maior verdade. Na Internet, todo mundo tem poder de opinar e falar o que quiser, se desviando da verdade e criando ofensas ou não. A gente acata o que é cítrica construtiva, tudo o que colaborar para nossa evolução como banda, musicistas e seres humanos, agora ofensas, a gente descarta. Na verdade, disse ali no começo que me dá dó, porquê quando chegam esses poucos comentários nos meus ouvidos, vejo que são pessoas que têm bandas e outros corres dentro do metal, e que perdem MUITO tempo com a gente. Penso que ao invés de perder tempo com aquilo que não gostam, vendo nossos vídeos, fotos, biografia, posts, e até criando canal no YouTube exclusivamente para fazer comentários negativos, deviam investir tempos pensando e agindo para melhorar e fazer algo que preste em prol delas mesmas, sabe? Uma pena, tempo perdido! Eu, particularmente, nunca deixei de fazer nada pela minha banda para criticar aquilo que não me agrada, exatamente porque pra mim vale muito mais à pena correr atrás do seu, do que ficar denegrindo aquilo que não te agrada. Mas faz parte… Se tem gente que não gosta de Black Sabbath, porque não teria gente que não gostasse da gente, certo? hahaha


Paulo Henrique : A Banda que faz suas próprias divulgações, com links ,informações etc. Como foi o contato com a gravadora austríaca Napalm Records, Há alguma previsão para o lançamento?

Fernanda Lira: Sim, nós mesmas que fazemos todos os corres da banda: divulgação, contato com apoiadores, assessoria de imprensa, marcações de shows, TUDO! Até mesmo nosso site nós mesmas fizemos! há já Quanto à Napalm, o contato rolou com a repercussão internacional que o clipe acabou gerando, graças única e exclusivamente aos nossos amigos que tanto ocompartilharam e recomendaram nossa música a seus contatos e migos! A gravadora acabou vendo o clipe e então entrou em contato com a gente, e depois de algumas conversas e de terem ouvido nossa Demo, demonstraram um interesse muito grande na gente. Analisamos a proposta e, como são uma gravadora de bom porte lá fora, foi irresistível não fecharmos com eles. Eles parecem ter ótimos planos pra gente, e vamos trabalhar duro pra desfrutar ao máximo dessa parceria :)



Paulo Henrique : Fora a banda Nervosa, vc é colunista do site Whiplash e ainda colabora com o quadro “Tough Girl” do programa Maloik, Como é fazer parte dessa empreitada?

Fernanda Lira: Além disso, ainda sou colaboradora da rádio Heavy nation, da UOL, junto com meus padrinhos Julio Feriato e Paula Baldassarri! Eu simplesmente amo fazer parte disso e são todos pequenos sonhos realizados. Além de musicista, estava me formando em Jornalismo, na Faculdade Cásper Líbero, e sempre coloquei na minha cabeça que trabalharia com música e mais especificamente pelo metal, isso me dando dinheiro ou não, porque para mim, o que realmente importa é amar o que faço - e eu AMO!

Com esses trabalhos, posso satisfazer e desenvolver meus outros dotes além da música, como fotografia, reportagem, edição, etc.

Paulo Henrique : Como a galera pode contactar a banda para shows e adquirir cópias da Demo ? Elas já estão a venda?

Fernanda Lira: A gente vai lançar a Demo independentemente agora em Julho, ainda sem data específica. Vamos anunciar o lançamento em breve e a galera vai poder adquirir nos shows e vamos ver de vender pela internet e em algumas lojas também. Fiquem de olho!


Paulo Henrique : Cinco discos que mudaram sua vida ?

Fernanda Lira: AHHHHHH, esses rankings sempre me matam, sério! Sou muito indecisa, pra mim cada disco é único de alguma maneira. Mas vamos lá, não são meus discos preferidos, mas são discos que mudaram minha vida de alguma maneira:



Kiss - Love Gun - Foi o primeiro disco que ganhei do Kiss aos 7 anos do meu tio, quando eu estava viciada em algumas músicas do acústico deles. Ali, me viciei no Kiss, que é minha banda favorita até hoje!



Iron Maiden - Powerslave - Ali conheci o Steve Harris e me apaixonei pelo baixo! Minha banda favorita junto com o Kiss desde sempre!



Helloween - Keeper of the 7 keys Part II - Melhor vocalista de todos os tempos, foi ali que descobri minha paixão por cantar. Eu e meu melhor amigo, Junior, cantávamos esse disco inteiro durante a adolescência inteira, quase explodindo a garganta e sempre chorando por não conseguir alcançar as notas absurdas do Kiske!



Death - Live in L.A. - Nele descobri na época uma vertente do metal das que eu mais gosto: metal bem trabalhado, cru e técnico ao mesmo tempo. Foi uma das portas de abertura pra minha entrada no metal extremo.



Pink Floyd - The Wall/Dark Side of the Moon - São dois discos muito queridos par mim, porque são atemporais. Pra mim eles são o discos que melhor refletem o que é a vida, qual a essência de viver. Sempre que me sinto confusa, perdida, triste, ou feliz, ouço eles pra saber que não estou sozinha, para saber que tudo o que sinto são assuntos comuns com todos os seres humanos. São álbuns muitos sensíveis e muito especiais. 





Paulo Henrique : Muito Obrigado pela entrevista Fernanda, Parabéns pelo ótimo trabalho que você , Prika Amaral e Fernanda Terra vem fazendo pelo Metal, O espaço final é seu:.

Fernanda Lira: Valeu para a galera que nos apóia! A cena é feita por pessoas que estão dispostas a escutar um som com coração e mente abertos e a reconhecer o esforço de quem tenta fazer algo pelo metal!
Sem vocês, a NERVOSA não teria força pra seguir em frente e acreditarem um ideal! VALEU!

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