Redtie :Entrevista com Alex Neundorf


Bom galera fizemos uma entrevista com Alex Neundorf ,vocalista da banda de Thrash Death Metal curitibana Redtie,ele nos falou um pouco sobre a história da banda,origem do nome,lançamento do site oficial ,lançamento do primeiro CD Since 1893 que está disponível para download gratuito no site da banda .
Confiram abaixo :


Paulo Henrique: Bom primeiro para a galera que ainda não conhece a banda nos fale um pouco sobre
como tudo começou.


Alex Neundorf : Paulo, primeiramente obrigado pelo espaço. Bem, eu não sou a pessoa mais apropriada para falar da formação do Redtie, uma vez que peguei o bonde andando e com uma direção já bem definida. Mas posso dar a minha visão da coisa: bem o Redtie foi formado no começo de 2007 e contava na sua primeira formação com o Edgar, Rodrigo e Luciano.
Seguidamente, entraram o Ricardo e, logo depois, o Guga Rovel (da banda Sad Theory). Essa formação fez alguns shows por Curitiba, além de lançar o primeiro trabalho com o EP Ultraviolence, mas logo o Guga resolveu deixar a banda. Depois disso, veio um longo período de audições e testes com vários vocalistas. O primeiro contato comigo foi o Rodrigo quem promoveu no final de 2007 e me abordando sobre a possibilidade de um teste no Redtie. Ali por março de 2008 conversei com o Edgar e finalmente eu fiz o teste e rolou a química (risos). A partir disso a formação se estabilizou, fizemos alguns shows
por Santa Catarina e Curitiba, gravamos nosso primeiro full-lenght “Since 1893”, lançamos nosso site e a coisa toda foi fluindo naturalmente. Estabilidade é uma das coisas mais importantes para uma banda se manter em atividade, ganhar confiança e pensar em projetos de mais longo prazo.

Vale notar também que a proposta lírica da banda foi pensada pelo Edgar, que é historiador. Por curiosidade, o primeiro vocalista também é historiador. E, por fim, eu também sou historiador, o que facilitou sobremaneira minha adesão à proposta.



Paulo Henrique: Além da Redtie, você também é vocalista da Fukkmaker (Death Metal), que no momento está parada, é um dos colaboradores do Webzine Goregrinder, como você consegue tempo para agilizar todas as atividades?

Alex Neundorf : É aquela coisa, alguns jogam futebol, outros fazem balé, etc., eu tenho isso como esporte (risos). Então a gente sempre encontra tempo pra isso. Claro, encaro tudo com profissionalismo e procuro ser o mais responsável que eu possa ser, uma vez que é a minha imagem que está em jogo, uma vez que existem terceiros que dependem de mim. Mas às vezes é dureza conciliar vida pessoal, vida profissional, formação, bandas, site, e tudo mais. Mas isso é igual, ou similar, para todo mundo. Todos têm de enfrentar os desafios do tempo, da falta de tempo, da conciliação entre diferentes espaços. É um exercício de
tolerância, em certo sentido. Mas eu gosto disso, sou uma pessoa inquieta, gosto de estar sempre com inúmeros projetos em desenvolvimento, com diferentes atividades sendo postas em prática ao mesmo tempo.

O Fukkmaker, infelizmente, está parado a um bom tempo. Já tentamos resgatar, mas está complicado. Essa última formação mesmo, comigo, com o Rodrigo e o Orlando (os irmãos Evandro e Fernando são os formadores da banda), já foi uma tentativa de dar uma sobrevida à banda. Espero que um dia seja possível retomar, embora a necessidade de um baterista que se enquadre à proposta seja um problema crônico pra banda desde que o Orlando saiu. O Fukkmaker é o maior exemplo de como a instabilidade de formação pode ser prejudicial à continuidade de qualquer projeto.

O GoreGrinder foi desde o início uma forma de eu tentar contribuir e participar de maneira mais ativa da coisa toda. Sentia que só participando de bandas eu não contribuía do jeito que eu queria.

Paulo Henrique: A Banda Redtie é bem conhecida na cena Underground brasileira e em outros países
também, como acontece o processo de divulgação e promoção da banda?

Alex Neundorf : Olha, pra ser bem sincero, acho que você está exagerando (risos). Acho que a gente é conhecido em nossa cidade (Curitiba), um pouco regionalmente e muito sutilmente à nível de Brasil. Internacionalmente, claro, depois que surgiu o Myspace, depois o Reverbnation,Soundcloud, as mídias sociais, etc. tudo ficou mais fácil. Nossa divulgação ocorre nesse universo e procuramos ser muito operantes nisso. A internet é um grande auxílio, uma ferramenta sem igual. É o ponto positivo do nosso mundo contemporâneo. As distâncias praticamente não existem com a internet. Desde que a barreira do idioma não seja um problema, é possível se comunicar em tempo real com o mundo todo.

Mas claro, existe a faceta negativa: nem sempre o nosso ‘amigo’ no Myspace, ou o nosso ‘curtir’ no Facebook, representa pessoas que participam do universo Metal, que vão à shows, que vestem a camisa e que levam as bandas à diante. Muitas pessoas que participam desses espaços de sociabilidade pela internet, vivem isoladas no mundo real, ou participam de espaços alienígenas ao espaço Metal, Headbanger. Então, com isso quero dizer que os números que uma banda apresenta nas mídias sociais da internet são, pra não dizer falsos, pelo menos irreais. O som está sendo ouvido, isso com certeza, mas por uma parcela bem
menor do que os números representam. A verdadeira divulgação ocorre quando o som está sendo ouvido pela galera, seja pela internet, seja ao vivo.

Paulo Henrique: A Redtie utiliza dentro do Metal Extremo uma forma criativa mesclando Thrash/Death Metal com elementos 80/90 e modernidade, gerando Brutalidade e uma pegada bem diferentes de outras bandas, como é o processo de criação das músicas?

Alex Neundorf : Como acontece com toda banda, a sonoridade vai sendo forjada em um processo. No
início, antes mesmo de o Redtie ser formado, o Edgar tinha vontade de fazer um som Speed/Thrash. Com a formação inicial, com a linha vocal do Guga e a pegada das guitas e batera, o som foi naturalmente levado para essa fronteira entre o Thrash e o Death Metal.
Comigo, há continuidade nessa proposta, uma vez que há uma grande similaridade entre a linha vocal que eu adoto e aquela que o Guga adotava, de pronunciar os fonemas com articulação e clareza.


As primeiras músicas, que constam em “Since 1893”, foram criadas pelo Edgar, com exceção de “Divine Punishment” que é do Rodrigo. Parte das intros e vinhetas são do Ricardo também. Já com relação aos arranjos, eles ocorrem no momento em que estamos ensaiando e todo mundo participa.

Com relação ao processo de criação, como para as primeiras músicas já se tinha quase tudo pronto, uma vez que o Edgar vem compondo a vida inteira praticamente (risos),agora estamos testando modelos diferentes para trabalhar. Todo mundo contribui com ideias e sugestões, mas no geral alguém sempre traz uma música pronta e a partir dela vamos transformando-a, se houver essa necessidade. Ou, se ela não funciona pra gente,descartamos. No geral, estamos passando por um momento bem produtivo, com várias
músicas novas, várias ideias para serem postas em prática. É muito bom trabalhar com o Redtie, pois todos são muito criativos, abertos à sugestão e laboriosos, no que tange fazer música (risos). Limpar o estúdio que é bom...

Paulo Henrique: Nos fale um pouco sobre suas influências e a influência adotada pela banda para consolidar o som de vocês?

Alex Neundorf : Bem, as influências são as mais díspares, cada um tem a sua e, inevitavelmente, naturalmente, essas influências estão e estarão presentes no som do Redtie. O Edgar é fãnzasso do Megadeth. O Rodrigo, o Ricardo e o Luciano são fãs de Metallica, Pantera entre outras bandas. Já eu sou fã de Iron Maiden, Motorhead, Mercyful Fate, Morbid Angel, Death, Judas Priest, entre outras. No que tange o vocal, gosto muito da linha do David Vincent na primeira passagem pelo Morbid Angel, do Mikael Åkerfeldt no Bloodbath e do Chuck Schuldiner, principalmente nos álbuns mais recentes do Death.

Paulo Henrique: Como que anda a formação da banda.

Alex Neundorf : Depois que eu entrei a formação estabilizou, como disse, uma vez que o problema era encontrar um vocalista, depois da saída do Guga. Mas no geral, o Redtie nunca teve grandes problemas com formação. Acho que isso é uma das coisas mais importantes para gente se manter na ativa e levar projetos em frente.



Paulo Henrique: E falando sobre o “Since 1893”, a banda lançou o CD junto com o site oficial no dia 25
de Junho, o título do disco é sobre a Guerra de Canudos, estou certo?

Alex Neundorf : Sim, certíssimo. Como eu e o Edgar somos historiadores, a ideia sempre foi tentar tratar
de temáticas históricas em nossas letras. Levar um pouco de conteúdo.

O próprio nome “Redtie” se refere a um formato de execução de dissidentes, popular no Brasil Império, principalmente nas Revoluções Farroupilha e Federalista, mas acentuadamente na Guerra de Canudos. “Redtie” ou “Gravata Vermelha” refere-se a essa prática de cortar a garganta dos insurgentes deixando um riacho de sangue escorrer pelo peito, formando assim uma ‘gravata vermelha’. O nome do nosso debut, “Since 1893”, faz referência ao início dos eventos que culminaram na Guerra de Canudos. E a data de 25 de junho é a dos relatos dos primeiros combates, da primeira troca de tiros.

Paulo Henrique:As 14 faixas do disco abordam temas como cultura, História, Cinema, fale sobre a criação da musicas.

Alex Neundorf : Bem, como já falei anteriormente sobre o processo criativo musical, estritamente falando, vou falar aqui sobre a lírica. Bem, quem efetivamente trabalha nas letras sou eu e o Edgar, mas todos contribuem com sugestões. Geralmente quem compõe a música, também sugere que temática gostaria que fosse abordada na letra. Nisso, a banda também tem uma química muito legal, pois todos compartilham boa parte dos interesses no que tange cinema e crítica da cultura (crítica do mundo atual, da política atual, etc.). Então, nada mais natural do que tratarmos de história, cinema e cultura. Temas que povoam nosso imaginário.

Paulo Henrique: Houve participações especiais de músicos bastante importantes do cenário Metal,
como: Henrique Bertol (Necropsya), Evandro Steer (Fukkmaker), Nelson Kuster (Dishamonic Fields), Renato Rieche (Division Hell), Como houve o convite e como a foi a participação deles no disco?

Alex Neundorf : Essa era uma ideia antiga já. Queríamos poder contar com participações nesse play.
Poder dialogar e principalmente aproximar, unir. Fazer esse link com os camaradas que, enfim, são todos relativamente próximos. A oportunidade surgiu com “Hate Culture” e lá estão os solos que cada um compôs especificamente para este som.

Pensamos em levar essa prática para um próximo trabalho e, quem sabe, poder contar com participações de vocalistas da cena. Seria interessante e é algo que até já cogitamos e estamos estudando.

Paulo Henrique: O CD foi gravado em 2009 se não me engano, mais saiu apenas agora com o lançamento do Site. Houve algum problema para ser lançado apenas agora? E a banda optou por lançar o CD em Formato Virtual em download gratuito, foi ideia da própria banda utilizar este formato ao invés do CD físico normal?

Alex Neundorf : Pois é, gravamos o material em 2009, mas devido a contratempos com o estúdio que
deveria entregar o trabalho pronto, masterizado, finalizado, acabamos tendo de correr atrás de alguém que mixasse e masterizasse. O que de certa forma foi ótimo, pois chegamos ao Fernando Kopp, que acabou por finalizar o material de uma maneira que agradou a todos. Com relação ao lançamento do debut, optamos por fazê-lo junto do site, de maneira gratuita e virtual, devido ao fato de a coisa ter sido retardada demais. Já era para termos lançado esse material em 2010, pra você ter uma ideia. Aí ficamos com isso travado por
todo esse tempo. Isso vai criando uma insatisfação e frustração. Por isso queríamos ver isso lançado o mais rápido possível. Além disso, chegamos à conclusão de que dessa maneira o som é mais bem divulgado, uma vez que todos tem a oportunidade de ouvi-lo. E claro, quem quiser imprimir o material e montar um CD físico, real, tem toda a possibilidade de imprimir o encarte e gravar o CD, já que disponibilizamos som e imagem em boa qualidade no site. Já para aqueles que têm um espírito colecionador, nada impede que a gente lance no futuro uma tiragem pequena de CD’s. O virtual não inviabiliza o formato físico.

Paulo Henrique:Estamos chegando no final de 2012, há planos futuro para o Redtie?

Alex Neundorf : Sim, planos não faltam! (risos). Na maior parte das vezes o problema é colocar em
prática, ou praticá-lo à contento. Nem preciso enumerar aqui a infinidade de problemas que toda banda precisa enfrentar para conseguir colocar um plano em prática. Mas enfim,gostaríamos de fazer um vídeo clipe no futuro, quem sabe gravar um show na integra,lançar um novo full, quem sabe com uma periodicidade mais curta, de dois em dois anos (seria o ideal, mas talvez não o praticável), tocar nos mais diversos lugares, quem sabe fazer uma turnê pelo país. Gostaríamos muito de lançar algo físico, mas com valor agregado, com um formato um pouco diferente. Temos isso no planejamento, algumas coisas estão mais ‘perto’, outras só na imaginação mesmo.

Paulo Henrique: Como a galera pode contratar a banda para Gigs e turnês?

Alex Neundorf : Através do site é possível acessar o perfil de cada um de nós nas diversas mídias sociais
e nos e-mails. Inclusive para quem quiser trocar uma ideia, estamos lá, é só entrar em contato.

Paulo Henrique:E falando em gigs, a banda pretende fazer algum evento aqui no eixo São Paulo/Rio de
Janeiro?

Alex Neundorf : Sim, seria muito oportuno podermos divulgar nosso som por aí. Temos consciência
de que o eixo SP/RJ é o mais tradicional quando se fala em Metal e que se um som é bem aceito aí, certamente será bem aceito num nível mais amplo. Além, é claro, das oportunidades de divulgação, afinal toda banda deseja tocar para o público paulista e carioca, nas casas tradicionais e nos fests que vem surgindo. Com a gente não é diferente, o Redtie aprecia muito a possibilidade de tocar em São Paulo e Rio de Janeiro. Na verdade, apreciamos descentralizar o nosso eixo de atuação, uma vez que estamos restritos ao Paraná e Santa Catarina, basicamente. Qualquer convite será bem recebido.

Paulo Henrique: 5 discos principais que não podem faltar em sua coleção?

Alex Neundorf : Olha, complicado (risos). Difícil pensar em cinco somente. Mas certamente “Painkiller”
do Judas, “Don’t Break the Oath” do Mercyful Fate, o “Powerslave” do Iron Maiden, o “Master of Puppets” do Metallica e “The Sound of Perseverance” do Death. Mas claro, praticamente toda a discografia do Motorhead e do Black Sabath tem muito peso pra mim.
E além do Metal, ouço também outros sons, digamos assim (risos). Gosto muito do prog dos anos 70 principalmente, King Crimson, Yes, Gentle Giant, Camel, Pink Floyd, etc. são presenças constantes no player ou na playlist. Tenho aberto meus ouvidos também para o Jazz de um Thelonious Monk, de um John Coltrane, de um Miles Davis, que me agradam sobremaneira. Isso sem contar música erudita que ouço bastante, música instrumental de uma maneira geral (trilhas sonoras principalmente), os velhos crooners dos 60 e 70, além do bom e velho Rock’n’Roll.

Paulo Henrique: Muito Obrigado pela atenção Alex, o espaço final é seu:

Alex Neundorf : Eu é que agradeço. Valeu pelo convite e por todo o espaço que o Metal Maniac confere
ao Redtie. Desculpe pelas respostas longas, mas quando embalo não paro mais (risos). É isso, vamos levar o som à diante, ouçam e apoiem suas cenas locais, as bandas brasileiras, vistam a camisa do Metal!

Links:
http://www.redtieband.com.br/ 
http://www.myspace.com/redtieband
http://www.facebook.com/RedtieBand
http://soundcloud.com/redtieband
http://www.youtube.com/user/redtievideo
https://twitter.com/REDTIEband
http://www.goregrinder.net/

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