Matéria Especial :Underground Brasileiro



Salve galera ,essa é a primeira Matéria Especial do Metal Maniacs Zine.Bom esta matéria contou com a presença de membros do Underground Nacional, uma espécie de debate ou mesa redonda,onde todos deram suas opiniões a respeito da atual cena Underground brasileira.
Era para termos mais gente no debate , mais com as correrias do dia a dia,shows.gravações ,não teve como alguns encaminharem suas respostas a tempo. E essa é apenas a primeira matéria,onde teremos muitas outras e será um enorme prazer ter seus comentários em nosso blog.
E atenção galera , caso queira contribuir com suas opiniões , basta fazer seu comentário no final desta postagem. Muito Obrigado a todos ! E vamos manter a chama acesa.


Muito Obrigado,por participar de nossa matéria , é bem simples ,mas quero pegar opiniões de Membros do underground, e se possível conseguirmos realizar uma força para alavancarmos a cultura Underground de nosso país.Ideia para idealização da Matéria ;A cultura Underground ou Movimento underground,sendo ele na forma de Literatura, Quadrinhos ,Filmes , Teatro ou Música,  sempre foi uma cultura tanto marginalizada, onde não vemos apos necessários para artistas conseguirem viver basicamente de sua arte.
Mas estamos aqui para debater e passar  a ideia da cultura Underground da cena Músical, Mas precisamente da cena Rock/Metal do Brasil.
Como fã de Heavy Metal a mais de 2 décadas , vejo que a cena deu uma alavanca-da de um modo geral,Mas na minha opinião não foi um
crescimento com qualidade, e sim  a cena teve uma inflada ao invés de crescer.
Bom todos nós sabemos ou pelo menos já ouviu falar como era a cena nas décadas 80 /90. Não estou aqui Dizendo que tudo é ruim, pelo contrário está um pouco estagnada e parada, mas cabe a nós melhor..
Vemos que diferentemente a respeito de décadas passadas , temos um profissionalismo por parte da bandas muito bom, lançando albúns ótimos de qualidade de som e arte gráfica impecáveis.
Mas por que então se ainda temos ótimas bandas , mas porque essas bandas não estão realmente estourando? para mim isso se dá ao público,que ainda tem aquele velho pensamento que tudo que é de fora é melhor.
Pô, lembremos que o Brasil tem uma das maiores cenas em todo o mundo,onde bandas são ditas como referencias para centenas de bandas pelo mundo afora,Mas o por que disso, bom ,existe na minha opinião (não estou generalizando) Pseudo Headbangers, que ao invés de ajudar a sua cena local,apenas ficam com atitudes infantis,ou debatendo detalhes que as vezes não será necessário.
Primeiro , vemos pela Internet, muitas pessoas apoiando a bandeira " eu apoio o metal Nacional" e inflando o peito , dizendo que é 100% Brasuca.
Bom começamos pela Internet, essa galerinha (novamente não estou generalizando),dizem que apoia a banda e tals , mas onde você não vê a galera praticamente comprando materiais de bandas ,é tudo baixado ,sim é uma forma barata de adquirir tais artefatos, mas não levam em conta,
que existem custos,compra de Instrumentos de qualidade, aluguel de estúdio para ensaios,gastos com divulgação ,alimentos.
Viver no Underground é bem difícil, a Internet ela ajudou em muito ,pois podemos nos conectar com diversas pessoas numa velocidade e rapidez incrível , sem precisar aguardar semanas com envio de cartas ,igual antigamente .
A Internet é uma ótima ferramenta para trabalho pois podemos divulgar e estabelecer contatos muito mais rápido, o que eu não concordo, é o carinha baixar o novo disco de determinada banda  de forma gratuita,onde você pode conseguir comprar tal material em lojas relacionadas por 15 reais.
Bem mais não é só isso que define a cena Under, Diversas casas  ,bares,promotores que se intitulam Underground, ao invés de facilitar a apresentação de tais bandas acaba dificultando, e quando conseguimos fazer eventos . A Grande maioria da galera  fica na porta enchendo a cara ,enquanto a banda toca para praticamente poucas pessoas.
Geralmente quando se tem até shows internacionais com bandas brasileiras abrindo, não que isso sempre aconteça, mas cansei de ver a galera enchendo a cara do lado de fora, e entrando no evento apenas quando  a banda principal já está no palco.Isso é levantar a bandeira?
Quantas vezes já fui em eventos com várias bandas autorais , que quando você chega ao local, estão apenas alguns gatos pingados, geralmente amigos das bandas ou familiares.
E geralmente as vezes nesses dias algumas casas onde o principal para chamar a atenção é colocar bandas covers ,maratonas open bar com até 15 bandas ao preço de 40 reais . E você vè uma fila imensa no local para poder ver tais bandas.
Então o que podemos fazer para melhor a melhor cena Metal do Mundo?.
Pois sabemos que o Brasil não exporta apenas futebol de boa qualidade, mas é umas da maiores potencias do assunto.
Essa é uma de minha opiniões sobre a cena underground, é o que eu acho, e tive que fazer um resumo, pois se eu for escrever tudo aqui,
daria um livro, e a ideia não é essa , a idéia é pegar nomes da nossa cena e saber suas opiniões a respeito
Então :
Para você, como está a cena Underground brasileira, e como podemos fazer para realmente deixarmos melhor ?É Possível ?


Rodrigo Balan - METAL MEDIA MANAGEMENT
Paulo, meu amigo, você em seu texto introdutório realmente colocou quase que minhas palavras nas suas. Discordo um pouco sobre a cena 80/90, que pra mim não passa de saudosismo barato, a cena brasileira
sempre foi ruim no quesito público / infraestrutura / pessoas sérias.

Hoje eu vejo a cena underground dividida em três partes: de um lado bandas/sites/zines/produtores musicais/jornalistas, do outro produtores de shows/casas de shows/público/lojistas e correndo por
fora, os selos/gravadoras.

Vou começar falando um pouco dos selos/gravadoras nacionais que hoje em dia em pouco interferem no caminhar do underground nacional. Essas empresas hoje em dia vivem seu inferno astral e tem que transformar
água em vinho para se manter na ativa e se nunca deram muita bola pra bandas brasileiras, não seria agora que iriam fazê-lo. Claro que sem generalizar, ainda existem alguns ótimos selos investindo e acreditando no que se faz em Pindorama. Enfim, a solução no meu ponto de vista não virá daqui.

Na questão bandas/sites/zines/produtores musicais/jornalistas o amadurecimento e profissionalização é notório e palpável,especialmente no tangente bandas, que assim como você citou, nossas bandas que nunca deveram nada em musicalidade, hoje não devem em nada para as bandas de fora, seja em identidade visual, seja em postura profissional, seja em cima dos palcos. Digo o mesmo dos zines/sites/revistas/jornalistas profissionais ou amadores, com o advento da internet, a cena brasileira nesta questão evoluiu MUITO, o Metal Maniacs mesmo, é uma prova disso. Claro que ainda precisa ser evoluído mais, sair do ‘só ajudo banda de amigo’, mas creio que a maioria está no caminho certo. A maioria está sempre procurando melhorar seu trabalho, veja nossas produções musicais, ninguém mais precisa sair do Brasil pra gravar com uma puta qualidade de som.

Já no lado produtores de shows/casas de shows/público/lojistas está,na minha opinião, o ponto fraco de nossa cena. Não posso generalizar, é claro, temos muitos produtores, casas, lojas e apreciadores
contemporâneos que vem lutando, assim como nós fãs por um cenário melhor e mais justo. A maioria ainda está parada no tempo, vive no jabá, na exploração da banda local, no medo de arriscar de investir de
criar novos caminhos, itens básicos pra qualquer empresa séria crescer e evoluir (que diga o Eike Batista), o mesmo acontece com lojistas que quase nunca se interessam por material independente nacional e se
esquecem do poder promocional que uma grande parceria poderia render (tarde de autógrafos com facilidade, pocket shows, cds autografados,etc), se prenderam na zona de conforto em vender medalhões e relançamentos e esquecem de olhar para frente.

Já o público, ah o público... A briga maior. Parto de um princípio:Não podemos obriga-los a gostar de Metal nacional, nem podemos obriga-los a ir em show de bandas locais. Se a pessoa prefere pagar
R$300,00 pra ver uma banda qualquer estrangeira a pagar R$10,00 pela banda nacional de qualidade superior é direito dela. As coisas tem melhorado neste ponto, mas em doses homeopáticas.

Acho que a resposta para a questão toda está neste paradoxo ‘público x música’. O que fazer? Não podemos abrigar ninguém a curtir nada. Não vamos criar cotas, vamos? Como obrigar esse público que fica do lado de fora esperando os gringos entrarem? Fã de metal em sua maioria é extremamente inteligente, gosta de ler, de ver filmes, de arte, mas é teimoso, orgulhoso e arrogante.

Na minha opinião a primeira coisa é parar de dividir o metal entre metal mundial e metal nacional. Não eliminar o termo, pois Brazilian Metal soa muito bem aos ouvidos, não? Acho que precisamos tratar o
Metal no Brasil como parte de um universo, um mundo muito especial e único que só existe no Rock/Metal, não é por isso que cantamos em inglês a língua universal? Temos que tratar as bandas apenas de duas
maneiras: banda boa e banda ruim, não importa se veio de São Paulo ou da Letônia, tudo é música, e na questão musicalidade não devemos nada pra ninguém.


Muito desse serviço de conscientização cabe aos músicos famosos, jornalistas, zines, revistas e formadores de opinião em geral usar sua voz para mostrar o caminho para o fã, não fazendo declarações infelizes, mas mostrando de forma prática como nossa música pesada é relevante.

Enfim, esta é apenas minha opinião, não deve ser levada de forma pessoal por ninguém e sim debatida. Nunca leve minha opinião de forma generalizada. Espero que possa ajudar de alguma maneira a gerar novas consciências nos fãs do nosso amado Rock/Metal.




Alex Neundorf  (Vocalista da banda Redtie e colaborador do Site Goregrinder)Primeiramente gostaria de agradecer o convite para participar dessa matéria. Em segundo lugar gostaria de salientar a importância em se discutir essas questões, tão relevantes para a tomada de causa, do conhecimento de causa, da parte daqueles que participam, vivem, ou tem interesses no que chamamos 'underground'.



Pois bem, aqui temos uma vasta quantidade de questões, apontamentos, reflexões, todos pertinentes a questão principal da matéria. Responder e tomar partido não é fácil, mas necessário. Vou procurar dar essa resposta, mas enfatizo o caráter sempre opinativo dela, afinal não me interesso em propor uma verdade, assim como tenho um pé-atrás para com quem quer propor-se o porta-voz da verdade.



Embora já tenho sido em algum momento da minha vida, não sou mais saudosista. Percebi que essa atitude em relação ao mundo me era prejudicial, pois me impedia de entender o mundo hodierno que me cercava, uma vez que ficava buscando no passado minhas âncoras, minhas referências, minhas explicações. Claro, é importante preservar e valorizar o passado, o nosso passado, afinal é ele que diz quem somos, quem nos tornamos, onde erramos, onde acertamos. Não somos mais a mesma pessoa de anos atrás, mudamos constantemente, sempre à luz do que ocorre no tempo presente. Nesse sentido, quero dizer que o fenômeno que chamamos 'underground' também não é mais o mesmo. Modificou-se nos anos 90, modificou-se nos anos 2000 e vem se modificando a cada dia. Para mim, 'underground' foi e é muito mais uma maneira de pensar o mundo, de ver o mundo, do que propriamente uma coisa, ou lugar, espaço, como intuitivamente a gente o possa pensar. 'Underground' é refletir sobre as coisas, pensá-las e desenvolver uma postura crítica em relação à elas. É sentir-se e realmente ser diferente, buscar a diferença. Fugir do padrão, do igual, do mesmo, do homogêneo. Não necessariamente se apresentar como diferente, mas pensar diferente. É pensar fora-da-caixa. E o 'underground' tem uma certa ojeriza ao popular, àquilo que é de consumo amplo e generalizado, àquilo que é unânime. Dessa forma, 'underground' é também uma espécie de elitismo, não elitismo de grana, obviamente, mas elitismo no sentido de pertencimento a um nicho seleto. E essa é a tênue fronteira que separa Underground de Mainstream.



Se nos anos 80 (tratando especificamente do Underground Metal) era fácil vermos shows lotados, sons originais brotando em vários cantos, vendas crescentes de cds, lps, cassetes, etc., nos anos 2000 tudo isso foi pelos ares, certamente devido ao fenômeno das comunicações e massificação da internet, mas também devido a habituação, a popularização do gênero, ao fato de aquilo não ser mais original, novo. É assim com cinema, com literatura, com todas as expressões da arte. O novo ganha o mundo até que seja absorvido, até que passe a ser parte integrante da cultura, do sistema. 


Nos tempos atuais, de outra parte, temos a possibilidade de assistir a um aumento do profissionalismo e qualidade das bandas, da facilidade em se comunicar, da facilidade em até excursionar por outros países, divulgando ainda mais seu nome e som, etc. Todos, já mencionados no texto da matéria.



Soluções são difíceis de serem apresentadas, mas tendo a acreditar que um dos culpados pelas mudanças pra-pior que visualizamos sejam exatamente as gerações antigas de headbangers que não foram competentes o suficiente em repassar o, digamos, 'código de ética' headbanger para as gerações que vieram depois. Se a transição entre gerações tivesse ocorrido de uma forma em que os valores fossem repassados, teríamos um cenário, talvez, um pouco diferente.



Tendo a pensar que certas coisas não tem mais volta, tais como a venda de cds. O compartilhamento, ou 'pirataria', é um fenômeno quase irremediável. Cabe as bandas refinarem seu trabalho e começarem a pensar maneiras de venderem seus produtos. Incorporar valor à esses produtos, tais como uma arte bacana, quem sabe até num formato maior do que a capa do cd, para se enquadrar mesmo; informações que ultrapassem às letras e tudo aquilo que é tradicional em um encarte, talvez referências para as letras, explicações sobre as letras, imagens, etc.; talvez vender pacotes que contenham não somente o cd, mas camiseta, bandeira, patch, etc. Enfim, incrementar esse produto, de forma que seja impossível pirateá-lo ou compartilhá-lo sem perdas. Outra possibilidade seria vender o material (físico ou virtual) vinculado à outra coisa, tal como um show da banda, etc.

Com relação à fraca presença nos shows, isso diz respeito à coisas bem mais complexas, tais como a concorrência de produtores e casas de shows, tais como o preço desses shows, tais como a falta de novidade, etc. Cabe as bandas e produtores repensarem esse formato também, agregando valor. 

Enfim, já falei muito. Acho que era isso. É um assunto que rende debate e certamente a criatividade do pessoal vai empurrar a sobrevivência do underground metal por muito tempo ainda.




Luis Carlos - (Baterista da banda STATIK MAJIK)


A cena Underground Brasileira no que se refere as Bandas está e sempre esteve bem servida, não faltam adjetivos. Acredito que hoje elas têm se profissionalizado mais, tais são os lançamentos de excelente resultado que temos visto por aí. O que não se vê mesmo é completo apoio em relação aos |Brasileiros fãs de Metal, o Rock in Rio pode servir de exemplo do que estou dizendo, pois para um show grande onde se vê pessoas que estão ali e nem sequer conhecem e/ou dão valor pras Bandas daqui, porque Metal no Brasil não é só Sepultura e Angra como esse povo da grande mídia acha. Aliás, pergunte para essas Bandas se quando cresceram enquanto Banda e passaram a tocar na europa, japão, etc., se eles se preocuparam em divulgar a cena daqui. Acredito que não. Hoje existem até mais Bandas que estão batalhando lá fora, mas a verdade é que a cena daqui ainda é pouco valorizada, pior, mais valorizada por gringos do que aqui, o que muitas vezes torna uma banda daqui "cult", caso do Sarcofago por exemplo.  A cena sempre está se movimentando de alguma forma e o mais legal disso tudo é a cara e a coragem de fazer alguma coisa, de muitas vezes tomar prejuízo com pouco público, e até mesmo com todas essas adversidades, as pessoas que batalham pelo underground brasileiro seja banda ou organizador de show, o que seja, fazem muitas vezes por amor ao Metal.  Apesar de muitos fãs, o Metal nunca será  o "estilo popular" do Brasil, e ainda assim, qual estilo por aqui que usa o amor estampado em seu peito e tem revista, zines sobre o estiilo ? O Metal é óbvio, e pra você ver que tudo isso se sustenta sem grande mídia como rádio e/ou tv, que apesar do Metal ter excelentes programas sobre o estilo, jamais terão grandes patrocínios como sertanejo, axé, etc.  Ser do contra, talvez seja esse o "charme" da coisa toda, vai saber... Os fãs de Metal no Brasil precisam valorizar mais as Bandas daqui,tudo bem, gosta quem quer, cada um sabe de si, mas Brasileiro precisa gostar mais de Brasileiro, não somente uma "pátria de chuteiras" e sem falso moralismo e patriotismo, nós Brasileiros precisamos valorizar mais o que temos aqui.

Yuri Schumann - (Guitarrista e Backing vocals da banda Vulture)


Primeiramente, quero elogiá-lo pela iniciativa, pois ela própria já é uma alternativa de melhoria da cena underground brasileira, só o fato de estar abrindo espaço para a discussão do tema já é uma bela proposta.
Bom, quando falamos de cena underground e de música em geral, precisamos nos ater aos pilares principais dessa cena que são: bandas, promotores, divulgadores e público, sem qualquer uma dessas partes não existe cena musical e de alguma forma as pessoas que fazem parte desses pilares precisam se ajudar para poderem permanecer.
É preciso que todos entendam também que no underground o retorno dos investimentos é sempre muito demorado e na maioria dos casos nem acontece, ou seja, quase ninguém ganha dinheiro para sobreviver apenas dessa cena.
Vou citar as opiniões que considero importantes para cada um desses quatro pilares que mencionei:
As bandas devem se preocupar primeiramente em fazer música boa e original, somente dessa forma conseguirão algum reconhecimento, o que pode ou não se refletir em sucesso financeiro, geralmente no underground brasileiro o reconhecimento demora muito para vir. Depois disso é gravar e divulgar o máximo que conseguir, o que hoje em dia não é difícil de se fazer. Bandas cover não se incluem nessa opinião, pois não fazem música e muito menos são originais, apenas ganham dinheiro com a produção de outros, o que para ser sincero deveria ser considerado crime.
Promotores e donos de bar precisam ganhar dinheiro, pois muitas vezes sobrevivem daquilo e precisam conseguir manter suas vidas e o seu local de trabalho, devem apoiar as bandas autorais, mas dependem de um público que as vezes não apoia, então não podemos condená-los por contratar bandas cover para lotar seus eventos e ganhar dinheiro para sobreviver e manter o local aberto. O que pode ser feito com mais frequência são os festivais em domingo à tarde, que é um dia que quase todo mundo não tem nada para fazer, nesse dia podem acontecer os eventos com bandas autorais, e o público pode optar por ir ver o cover no sábado à noite ou as bandas autorais no domingo, uma dica é que não precisa haver festivais com várias bandas todo final de semana, até porque a maior parte da galera não tem grana para bancar tudo isso, dependendo da cidade pode haver um ou dois festivais por mês, que já está de bom tamanho, outra dica é fazer festivais que tenham bandas de vários subestilos dentro do metal, acho que é mais legal  porque atrai um público maior e também fica menos cansativo.
Os divulgadores, acho que são os que mais trabalham e os que menos têm reconhecimento, principalmente financeiro, já que na maior parte das vezes montam um site ou blog por amor ao metal e não para ganhar dinheiro, mas também esses devem ser ajudados, principalmente pelas bandas, que são os que mais precisam deles. Então bandas, paguem quando os divulgadores pedirem ajuda, os valores são muito barato e a divulgação é essencial, hoje em dia uma banda não existe se não fizer divulgação, pode ser o melhor som do mundo.
Finalmente cheguei no público, o das bandas autorais está cada vez mais escasso, chego a pensar que está se tornando uma espécie em extinção, mas não, eles são poucos mas são fiéis e vão ao show das bandas que gostam e às vezes até ao das bandas que não gostam, porque defendem um ideal de vida e não se curvam ao que lhes é imposto de cima para baixo. Acho também que existem dois tipos bem definidos de público, aquele que só conhece as bandas mainstream e não têm interesse em conhecer outras, e aqueles que gostam das grandes bandas, mas também têm interesse em conhecer outras bandas, sejam locais ou internacionais e é esse segundo e pequeno grupo que mantém a cena underground viva, apesar de capenga ainda está viva e não morrerá nunca, porque sempre surgirão novas bandas, novos promotores, novos divulgadores e novas pessoas que se interessam por coisas que não são tão óbvias e de fácil acesso. Enfim, essas pessoas devem conhecer e apoiar as bandas autorais de que gostam e  estimular os seus amigos a também conhecê-las, dessa forma o público vai aumentando e os eventos vão ficando cada vez mais atrativos, acho que é uma tendência natural do pessoal que curte metal, gostar de conversar sobre as bandas que gostam e passar para os amigos aquilo que consideram bom. O emprestar CD, também é uma forma de apoiar as bandas.
Com relação à internet, ela é uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo que ajuda as bandas a divulgar seus trabalhos, também atrapalha, na medida que torna as pessoas preguiçosas e submissas, a verdade é que hoje em dia ninguém mais quer comprar algo que pode obter gratuitamente na internet, acho que isso se reflete no preço dos shows que estão cada vez mais caros, uma vez que as bandas grandes que perdem muito com a venda de CDs, têm que compensar de alguma outra forma, enfim, a lógica do mercado é cruel e as bandas terão que se adaptar de alguma forma, pois está muito próxima a hora que não irá mais compensar custear a prensagem de CDs que ficam encalhados nos estoques para o resto da vida.
Acho que já falei demais, deixei algumas opiniões pessoais que não precisariam estar aí, dei algumas dicas que considero boas para, de alguma forma, melhorar a cena.
É isso, espero ter sido útil de alguma forma.
Abração e até logo

Tarso Carnal - (Vocalista da Banda Carnal Desire )

Fala !Vou resumir minha opinião.
Tenho 47 anos,sendo 20 de BANDA E 35 dedicados ao Rock ao ROCK Vi  

muitas coisas,passei por vários estilos do  VARIOS ROCK,curto  de 
tudo(ROCK)
Eu penso assim "MUSICOS,CASAS DE SHOWS...PRODUTORES DE EVENTOS",Se
Renderam ao UNIVERSO COVER,acabaram os espaços para bandas de som  

próprio.


E muitos músicos talentosos desistiram de criar suas próprias músicas
TALENTOSOS,.Porque o  povo só da valor ao som dos outros .É lamentável 
isso,dá para contar na mão quantas bandas de som proprio ainda estão  
na ativa .


Veja bem,não tenho nada contra as bandas covers,.Eu  vou nos shows e 

já fiz parte de uma .


Mas sou do tempo que cover Cover ,era apenas algumas músicas no 
repertório .Depois era só de bandas que acabaram ou numca mais  
tocariam,conheci gente que é fã do Black Sabbath,mais quando eles
vieram tocar aqui ,ele não foi, mais foi no cover


Até casas de shows que mantinham o lugar apenas para SOM 
UNDERGROUND."ABRIRAM" as pernas,tem casa que rola até 18 bandas covers  
numa noite!

Aí vem o cenário de bandas gringas ....É classe  A,ver sua banda 
preferida tocar aqui, mesmo pagando 200,300, sei lá até MIL REAIS.


Mas quando uma banda brasileira toca por 5 REAIS,casa vazia!FALTA DE
UNIÃO ENTRE BANDAS,Também,em vez de uma ajudar a outra ,acabam fudendo 
o outro
Coisa que rola a Mil anos , a famosa " Panelinha",Lance fechado,você 
entra num estudio para ensaiar,gasta mó grana com equipamento :
Guitarra,Bateria,Baixo,Aparelhagem de voz.


Aí pelo prazer de tocar,você toca em eventosque mesmo sendo 
cobrados,você não ganha 1 real .Não é para ficar rico,apenas um sinal 
de respeito com os músicos !E bandas que pagam para abrir shows 
gringos? Aí sim é perder o respeito mesmo! Organizadores 
Picaretas,falam,falam,agitam e no final só enganação.


Chegam até a sujar o nome da cidade e etc.Os poucos caras de 
confiança,trazem shows aqui para a nossa cidade(Santos),Mais a 
galera,principalmente a nova geração,ficaam na calçada ,tomando Pinga 
com Ki-Suco!


Hoje temos vários vários estudios de ensaios,mamãe e papai para 
comprar instrumentos de ponta,buscar de carro depois dos shows 
etc.Para que ??? Para fazer uma bosta de som da moda!


Bom,eu não sei quanto aos outros,mais vou continuar na minha 
estrada,com minha banda de som próprio numca vou deixar  de fazer o 
que gosto ou desistir do meu sonho.......


TOCARRRRRRRRRR MUITOOOOOOOOOO  e ver a galera agitar ,ao som de Carnal
Desire,e outras poucas bandas nacionais de som Próprio.






2 comentários:

  1. Danylo (Maquina Profana Fest) ; Um ponto fundamental que acho que ninguem tocou é sem duvida nenhuma é o lado historico , por exemplo o brasil não vé o rock e o metal como cultura ou como algo cultural ,apesar de que muitas bandas brasileiras de certa forma são bandas de cabeceira pros gringos e principais fontes de influencias , exemplo o sarcofago antes mesmo de existir toda a estetica do corpse paint no black metal e de se ter a ideia da postura de metal extremo e anti-social que foi exacerbada peala cena norueguesa , o brasil ja tinha uma cena forte o sarcofago foi a primeira banda a usar corpse paint e abordar temas como black vomit entre outros fazendo assim a cabeça de varios headbangers pelo mundo afora , mais se vc pergunta pra um cara que acabou de formar uma banda de black metal qual a sua maior influencia ai o cara solta a seguinte a sou influenciado pelo true black metal norueguês, mayhen, immortal,emperror entre outros mais este pseudo head banger mal se lembra que a maior influencia destes caras que foram bandas como venom ,sarcofago(brasileira),vulcano(brasileira), sepultura (brasileira) entre outras , tipo os proprios bangers desconnhecem a real historia da parada isso pra min é ridiculo ...
    fora a participação da galera em determinadas escalas da cena, se voce pede um apoio para determinadas pessoas, para, ajudarem em um fest estes mesmo caras que em seus perfis no face ou no orkut dizem apoiar a cena só que na hora H, simplesmente inventam mil desculpas para não ajudar ou nem sequer comparecer no som muitos inventão discordias com varias bandas e seguimentam a cena tornando algo ainda menor, criando picuinhas discuções infantis sobres este ou aquele estilo.Bom acredito que se voce não curte determinado tipo de som beleza não curta mais ficar queimando o filme de quem trabalha para sobreviver na cena, acredito que seja no minimo ridiculo e uma espeçie de egoismo por parte de quem age assim, eu por exemplo organizo o fest maquina profana e sempre buscamos mesclar determinados estilos para abrager mais publico ,e ja ouvi nego reclamar de coisas ridiculas tipo "ah num gostei desta banda pq eles tem este vicu mais a pegada é legal ou a ah num gostei desta banda pq eles são meio punks" tipo tem um determinada parte do publico que quer ser critico musical e não entende de muita coisa do que fala.
    bom sobre tudo apesar dos desafios,dificuldades e perrengues eu gosto da cena undergorund, na realidade amo a cena de musica underground e é por isso que acredito nela e por ela que luto, mesmo com todos seus defeitos acredito que estamos aos poucos estamos conquistando um melhor espaço.

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  2. Ficou muito bom!!! Parabéns pela iniciativa!!!

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